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- Camila, nascida em 1458, era filha ilegítima do
Duque de Camerino, na Itália, gerada antes do seu
casamento com Joana Malatesta. A madrasta a acolheu com
amor, e Camila cresceu na corte, bela, inteligente, de
espírito vivo, caridosa e piedosa. Gostava de cantar e
dançar, e tinha dom para a filosofia e teologia. Ainda
criança, ouvindo uma pregação sobre a Paixão de Jesus,
fez um voto de toda sexta-feira derramar ao menos uma
lágrima recordando os Seus sofrimentos; mas isto era
difícil de conciliar com sua vida divertida, e ela se
sentia mal por toda a semana quando não conseguia chorar
esta lágrima.
Adolescente, recebeu e
interessou-se pelas atenções de um pretendente, mas um
sermão na Quaresma a inclinou para Deus; e com o auxílio
de Frei Francisco de Urbino começou a amadurecer sua
vocação religiosa, contra a qual na verdade relutou. A
família, especialmente o pai, desejava para ela um
casamento de vantagens políticas para o ducado. Mas
Camila recusou, e após sete meses de grave doença,
compreendeu o chamado de Deus e se decidiu pela vida
religiosa.
Em 1481, com 23 anos,
finalmente entrou no Mosteiro das Irmãs Pobres de Santa
Clara de Urbino, adotando o nome de Irmã Batista. Fez os
votos definitivos em 1843, e redigiu “As Recordações
de Jesus”, registrando as instruções e admoestações
de Jesus que Dele recebera ainda no palácio paterno.
No ano seguinte, seu pai
constrói um Mosteiro em Camerino, movido por saudades, e
Irmã Batista, com outras oito irmãs, nele funda uma nova
comunidade de Clarissas, sob a regra própria de Santa
Clara e não das Urbinistas. Ali foi humilde, servindo
atentamente às necessidades das irmãs; várias vezes foi
eleita Abadessa, e viveu anos de intensas experiências
místicas centradas na Paixão e Morte de Cristo, mas
também com visões de Nossa Senhora, Santa Clara e dos
Anjos.
Entre 1488 e 1490, sofreu
grande crise espiritual, e escreveu livros. "As Dores
Mentais de Jesus na Sua Paixão", de 1488, serviu
como guia de meditação para grandes santos, e deve ter
sido baseado nas revelações que o Senhor dignou-Se a lhe
mostrar sobre todos os tormentos da Sua agonia. Seu
confessor, Beato Domenico de Leonessa, a instruiu a
escrever sua autobiografia, chamada “A vida
Espiritual”, redigida em 1491. Outras obras se
seguiram, como “Instruções ao Discípulo”,
dirigida ao Sacerdote Franciscano João de Fano.
Em 1501, os tumultos
políticos na Itália da época atingiram Camerino. O
devasso Papa Alexandre VI excomunga o pai de Camila,
Júlio, por interesses políticos, e seu general, César
Borgia (que inspirou o livro “O Príncipe” de
Maquiavel, por causa da sua infame conduta), prende
Júlio e seus três irmãos. Camila e outra irmã Clarissa,
parente dos Varano, fogem refugiadas para Fermo, e
depois seguem a pé para Atri, onde são recebidas pela
duquesa Isabel Piccolomini.
Também conseguem escapar a
mãe de Camila, seu irmão mais novo João Maria e seu
sobrinho Sigismundo. Em 1503 Júlio e irmãos foram
assassinados, mas após a morte de Alexandre VI e
portanto com o fim do apoio a César Borgia, os Colonna e
o Papa Júlio II ajudaram João Maria a retomar Camerino.
A Abadessa Camila Batista perdoou os inimigos,
retornando à cidade. Em 1505 retorna a Fermo para fundar
um Mosteiro Clarissiano por ordem do Papa. Em 1511 morre
sua amada mãe adotiva, Joana Malatesta.
A triste decadência dos
costumes eclesiásticos, nesta época, que aliás serviriam
em parte como motivo para a heresia protestante de
Martinho Lutero em 1517, levava Irmã Batista a um tão
grande desejo de correção na Igreja que, de acordo com
uma irmã, não conseguia dormir nem comer, ficando por
isso gravemente doente.
Em 1521, vai a São
Severino, nas Marcas, para fundar um novo Mosteiro.
Ficou conhecida como reformadora da Ordem de Santa Clara
por observar com radicalidade a sua Regra, por exemplo
cultivando com empenho a pobreza pessoal e comunitária.
Por esta época, escreveu “A Pureza do Coração”, a
pedido de um religioso, um itinerário de perfeição a
partir da sua experiência de vida.
Irmã Batista escreveu em
Latim e majoritariamente no seu dialeto da Umbria, um
legado místico famoso e notável pela originalidade,
espiritualidade e linguagem vividamente pictórica. Por
isso foi considerada uma das maiores eruditas do seu
tempo e admirada por São Filipe Néri e Santo Afonso.
Contribuiu também para a instituição dos Capuchinhos,
intercedendo ao Papa Clemente VIII em favor da aprovação
deste ramo Franciscano em 1524; o Beato Mateus de
Bascio, seu fundador, antes de ser Frade havia sido
protegido dos Varano.
Em 1524, na festa de
Corpus Christi, 31 de maio, irmã Batista faleceu em
decorrência da peste que assolou a Itália. A exumação do
corpo, 30 anos depois, o revelou em perfeito estado de
conservação. Nova exumação em 1593 expôs a língua ainda
fresca e vermelha.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho |