|
-
Em meados do século III, sob o imperador romano
Galiano (entre 253-268), houve um período de "pequena
paz para a Igreja", no qual as perseguições aos
católicos foram interrompidas, exceto por episódios
isolados, e que perdurou para além do seu governo. Em
284 assumiu o império Dioclesiano, que decidiu tornar
Maximiano Hercúleo seu coimperador no Ocidente, enquanto
ele cuidava do Oriente.
Maximiano teve que
enfrentar a revolta de Caráusio, um seu comandante
militar na região da Gália Bélgica (atualmente regiões
da Bélgica, Luxemburgo, norte da França, sul da Holanda
e oeste da Alemanha), e entre as tropas que mobilizou
estava a Legião Tebana ou Tebaica, por sua origem em
Tebaida no Egito.
Toda uma coorte (mil
homens) desta legião era composta por católicos,
comandados por Maurício. Neste período, cerca do ano
286, pouco anterior à chamada Era de Dioclesiano ou Era
dos Mártires (295-310), as cruéis perseguições deste
imperador aos cristãos ainda não haviam começado, e eles
ocupavam vários cargos, inclusive militares.
O exército de Maximiano
atravessou os Alpes e chegou ao vale do rio Ródano, na
atual Suíça. Para descansar a tropa, foram decretados
três dias de festas em Octodorum, para homenagear os
deuses do império, o que incluía sacrifícios a eles. A
guarda avançada, com Maurício e companheiros, acampou em
Agaunum, uma aldeia a cerca de 24 km do Lago de Genebra
e a cinco km da cidade.
Eles se recusaram a
sacrificar aos deuses pagãos, e Maximiano, irritado,
mandou dizimar parte destes legionários para obter
obediência. Como os demais permaneceram firmes na
recusa, um segundo massacre foi ordenado.
Novamente Maximiano intimou
os sobreviventes à apostasia, mas a resposta de Maurício
e seus oficiais (Exupério, Cândido, Vital, Alexandre,
Vitor, Inocêncio) foi contundente: “somos teus
soldados e não menos servidores de Deus. Sabemos
perfeitamente a nossa obrigação como militares, mas não
nos é lícito atraiçoar o nosso Deus e Senhor. Estamos
prontos a obedecer a tudo que não contrarie a lei de
Jesus Cristo Nosso Salvador.
Fomos testemunhas da morte
dos nossos companheiros e não nos queixamos; antes, com
eles nos congratulamos. Tuas ameaças não provocam
sentimentos ou planos de rebelião de nossa parte.
Estamos com as armas nas mãos, mas delas não faremos uso
para nos defender. Antes queremos morrer inocentes do
que viver culpados”.
Diante disso, o imperador
mandou o exército exterminar os soldados restantes, que
esperaram pacificamente os golpes de espada, dobrando as
cabeças.
O local do massacre no
campo de Agaunum, à beira do Ródano, foi historicamente
identificado como a cidade de Martigny, nome derivado de
“martírio”. Uma Igreja, só descoberta por volta
de 1893, foi ali erguida em honra destes mártires, e no
século seguinte construiu-se uma Basílica no lugar da
execução. Em 520, o rei Sigismundo da Borgonha lá
edificou o Convento de São Maurício de Agaunum, onde são
veneradas as relíquias dos soldados mortos ainda hoje, e
cujo deu origem à cidade de São Maurício, em Valais, na
Suíça.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho
|