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Nicolau nasceu em 1417 na cidadezinha de Flüe,
Sachseln, no Cantão suíço de Obwalden, então
Confederação dos oito Cantões da Suíça central. De uma
família de camponeses, permaneceu analfabeto por toda a
vida, e desde a juventude desejava a vida religiosa, mas
ajudou o pai em serviços do campo.
Entre 1440 e 1444, teve que
partir como soldado e depois como oficial, sempre com
comportamento exemplar, contra o cantão de Zurique, que
havia se rebelado contra a Antiga Confederação
Helvética. De volta à casa e a pedido do pai, casou-se
com Dorothy Wiss, filha de agricultores, num matrimônio
feliz. Tiveram dez filhos, dos quais vários seguiram o
Sacerdócio; um dos netos, Conrado Scheuber, faleceu com
fama de santidade.
Reconhecido pelo seu senso
de justiça, integridade moral e retidão de consciência,
foi solicitado a assumir muitos cargos públicos, como
conselheiro, deputado na Dieta federal, e por nove anos
juiz no seu Cantão. Recusou o cargo maior de Landamman
(governador) do seu Cantão. Como pai de família, não
podia dedicar-se à oração como gostaria, mas quando
completou 50 anos Deus lhe concedeu as três graças que
desejava: o consentimento de sua esposa e filhos para
partir, a ausência da tentação de voltar e a
possibilidade de viver sem beber e comer. Abandonou os
cargos públicos e retirou-se para um local perto de
casa, num lugar íngreme, chamado Ranft, onde construiu
uma cela de tábuas (depois, transformada em capela pelos
habitantes locais). Viveu ali 20 anos em oração,
penitências e jejum; ia à Missa nos domingos e dias
santos, sempre descalço, mesmo no gelo; dormia numa
tábua usando uma pedra por travesseiro, vestia-se com
roupas rudes e, de acordo com as provas de várias
testemunhas ao longo do tempo, alimentava-se somente da
Eucaristia, tendo saúde e boa disposição física, mental
e espiritual.
Não conseguiu permanecer
totalmente solitário, pois era procurado para conversas,
conselhos e explicações religiosas, a todos, simples e
poderosos, atendendo com caridade e boa vontade. Passou
a ser conhecido carinhosamente como Irmão Klaus. Mediou
com sucesso negociações que evitaram uma guerra iminente
entre a Suíça e a Áustria. Em 1481, acedeu aos pedidos
para intervir na Assembleia de Stans, onde conseguiu a
unificação dos partidos na Confederação Suíça, impedindo
uma guerra fratricida no país. Em 1482, foi chamado para
resolver uma questão entre Constança e a Confederação
sobre o exercício do direito em Thurgau, e novamente
restabeleceu a paz. Enorme é o seu mérito em conciliar
protestantes e católicos, sendo por ambos respeitado e
amado.
Sua capacidade de
reconciliação, inimiga de violência, guerra e conquistas
ambiciosas, e também alianças comprometedoras com outras
nações, muito influenciou o seu povo, e há um consenso
de que, se a Suíça é um país pacífico e que raramente se
envolve em conflitos mundiais, isto se deve à sua
influência.
São Nicolau faleceu em sua
cela de Flüe, em 1487, no dia em que completava 70 anos.
Considerado um dos maiores místicos da Igreja católica,
é o santo mais popular e conhecido na Suíça, de onde é
padroeiro e chamado de Pai da Pátria.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho |