- Ele era relojoeiro; ela
rendeira: de origem burguesa, Santos por eleição. São
eles: Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877)
os pais de Teresa do Menino Jesus. É o segundo casal de
esposos depois de Luís e Maria Beltrame Quattrocchi,
beatificados em 2001 por João Paulo II que é elevado às
honras dos altares.
Ambos eram filhos de militares e foram educados num
ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso e marcado
por um certo jansenismo ainda rastejante na França da
época. Os dois receberam uma educação de cunho
religioso: nos Irmãos das escolas cristãs, Luís; nas
Irmãs da adoração perpétua, Zélia. Ao terminar os
estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís
orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro,
não obstante o exemplo do pai, conhecido oficial do
exército napoleônico. Zélia, inicialmente, ajudava a mãe
na administração da loja da família. Depois,
especializou-se no "ponto de Alençon" na escola
que ensina a tecer rendas. Em poucos anos os seus
esforços foram premiados: abriu uma modesta fábrica para
a produção de rendas e obteve um discreto sucesso.
Ambos nutrem desde a adolescência o desejo de entrar
numa comunidade religiosa. Ele experimentou pedir para
ser admitido entre os Cônegos Regulares de Santo
Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes
suíços, mas não foi aceito porque não conhecia o latim.
Também ela tenta entrar nas Filhas da Caridade de São
Vicente de Paulo, mas compreende que não é a sua
estrada.
Durante três anos Luís vive em Paris, hóspede de
parentes, para aperfeiçoar a sua formação de relojoeiro.
Naquele período foi submetido a muitas solicitações por
parte do ambiente parisiense impregnado de impulsos
revolucionários. Aproximou-se até de uma associação
secreta, mas afastou-se imediatamente. Insatisfeito com
o clima que se respirava na capital, transferiu-se para
Alençon, onde iniciou a sua atividade, conduzindo até à
idade de 32 anos um estilo de vida quase ascético.
Entretanto, Zélia, com a receita da sua empresa, manteve
toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade
parisiense. O encontro entre os dois acontece em 1858 na
ponte de São Leonardo em Alençon. Ao ver Luís, Zélia
percebeu distintamente que ele seria o homem da sua
vida.
Após poucos meses de noivado, casam. Conduzem uma vida
conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa
quotidiana, pela oração pessoal e comunitária, pela
confissão frequente, pela participação na vida
Paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos
quais morrem prematuramente. Entre as cinco filhas que
sobreviveram, está Teresa, a futura santa, que nasceu em
1873. As recordações da Carmelita sobre os seus pais são
uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A
família Martin educou as suas filhas a tornar-se não só
boas cristãs, mas também honestas cidadãs. Aos 45 anos
Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no
seio. Viveu a doença com firme esperança cristã até à
morte ocorrida em Agosto de 1877.
Com 54 anos, Luís teve que se ocupar sozinho da família.
A primogênita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 anos
e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o
irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os
cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887
Luís acompanhou as três filhas ao Carmelo. O sacrifício
maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para
as Carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por
uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à
perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório
de Caen. Morreu em Julho de 1894.
Referência:
www.vatican.va. Acesso em 25 jun 2021. Adaptações:
Equipe Pocket Terço.
São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, rogai por nós!
- São João Gualberto
- João Gualberto Visdonini nasceu no ano de 995 em
Florença, Itália, de pais nobres e cristãos. Seu pai o
educou, junto com o irmão mais velho, para saber
defender e administrar o patrimônio e a honra da
família, como bons cavaleiros, hábeis nas armas e nas
palavras. Sua mãe proveu o ensino religioso.
Aconteceu que o irmão foi
assassinado, e João jurou vingança. Na Sexta-Feira Santa
de 1028 ele encontrou o homicida
sozinho e desarmado numa estrada deserta próxima da
cidade, e imediatamente puxou da espada. O homem caiu de
joelhos e abrindo os braços implorou: “por
amor de Jesus, que neste dia morreu por nós, tem piedade
de mim, não me mates!”. Tocado pela
misericórdia do Senhor, João largou a espada, desceu do
cavalo e o abraçou fraternalmente, perdoando-o.
E saindo dali dirigiu-se
diretamente para a Igreja de São Miniato, ajoelhando-se
diante do crucifixo do altar; consta que a imagem do
Cristo inclinou-Se sobre ele, em aprovação, e Dele João
ouviu: "Vvm e segue-Me". Foi tomado então de
grande paz de espírito, e resolveu tudo abandonar para
se tornar religioso.
Ingressou no Mosteiro
Beneditino de Florença, vivendo exemplarmente a
humildade, a disciplina e o seguimento da santa Regra,
na oração e no estudo, na penitência e na caridade.
Aprendeu então a ler e escrever – os nobres na época
davam mais importância ao conhecimento das armas – e
adquiriu os dons da profecia e dos milagres.
Estimado por todos, foi
eleito Abade em 1305, mas logo renunciou, indignado,
descobrindo que o tesoureiro do Mosteiro havia subornado
o Bispo local para a sua escolha. João os denunciou e
combateu, mas foi tão ameaçado que saiu do Mosteiro.
Mudou-se para uma rústica
casa encontrada numa floresta da montanha Vallombrosa,
nos Montes Apeninos, seguido por alguns Monges. Sua fama
de santidade logo atraiu jovens para a vida religiosa, e
João fundou novo Mosteiro, com as regras Beneditinas. O
Papa acabou por aprovar a Ordem dos Monges Beneditinos
de Vallombrosa, onde João implantou tão respeitado
centro de estudos que Bispos e Sacerdotes vinham de fora
para se aprofundar em espiritualidade.
De acordo com a Regra de
São Bento, os Monges oravam e trabalhavam a terra,
plantando para alimentar o Mosteiro e inclusive
replantando os bosques do local. Por isso são
considerados os precursores da agricultura
autossustentável. Saíram dali também Monges
missionários, para evangelizar em Florença e depois em
muitas outras cidades italianas, com a construção de
novos Mosteiros em por exemplo Passignano, na Úmbria.
Foi neste último que João
Gualberto faleceu, em 12 de julho de 1073, sendo
considerado o herói do perdão.
Os Monges da sua fundação
tornaram-se, nos séculos seguintes, especialistas em
Botânica, e assim convidados para criar a
Cátedra de Botânica da reconhecida Universidade de
Pávia. Já outras universidades famosas como as de Roma,
Pádua e Londres buscavam nos seus Mosteiros os seus
mestres para essa matéria. Desse modo, o Papa Pio
XII declarou São João Gualberto o padroeiro da
Engenharia Florestal.
Colaboração: José Duarte de
Barros Filho
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