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- Às vezes um erro do
correio pode ser providencial. No caso de nosso santo o
erro era quase inevitável. Ele se chamava Ascânio
Caracciolo e morava junto à Congregação dos Brancos da
Justiça, que se dedicavam à assistência aos condenados à
morte, junto à qual exercia a mesma obra humanitária
outro sacerdote com idêntico nome, Ascânio Caracciolo. A
carta foi escrita pelo genovês Agostinho Adorno,
venerável, e por Fabrício Caracciolo, abade de santa
Maria Maior de Nápoles. Ambos se dirigiam a Ascânio
Caracciolo para pedir que colaborasse com a fundação de
uma nova Ordem, a dos Clérigos Regulares Menores. Mas a
qual dos dois Caracciolo?
O correio endereçou-a ao jovem sacerdote, nascido a 13
de outubro de 1563 em Vila Santa Maria de Chieti e que
se mudou para Nápoles aos 22 anos de idade para
completar os estudos teológicos. Os anos de sua
juventude transcorreram sem que nada de particular
fizesse prever nele a extraordinária atividade
apostólica que em sua curta vida (morreu aos 45 anos)
desenvolveria. Com os dois remetentes foi ao ermo de
Camaldoli, para a elaboração da Regra, que o papa Xisto
V aprovou a 1º de julho de 1588.
A Francisco Caracciolo se deve a introdução de um quarto
voto, além dos comuns de pobreza, castidade e
obediência: o de não aceitar dignidade alguma
eclesiástica. Um ano depois Ascânio Caracciolo emitia os
votos religiosos assumindo o nome de Francisco. Em 1593,
a pequena congregação — estava ainda numa apertada
moradia perto da igreja da Misericórdia — celebrou o
primeiro capítulo geral e Francisco teve de aceitar por
obediência o cargo de prepósito geral. Nesse tempo a
jovem congregação se estabelecia em Roma, na igreja de
santa Inês, na praça Navona. Vencido o seu mandato
voltou para a Espanha, onde estivera já em 1593 e lá
fundara uma casa religiosa em Valladolid e um colégio em
Alcalá. Foi mestre de noviços em Madri e novamente
Prepósito da casa de Santa Maria Maior de Nápoles.
As múltiplas atividades haviam enfraquecido sua débil
saúde. Durante uma estada em Agnone, com os padres do
Oratório, caiu gravemente enfermo e morreu a 4 de junho
de 1608. O seu corpo, transportado para Nápoles, foi
sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de
seus numerosos milagres, a cura de um aleijado
precisamente durante seus funerais, foi a faísca que
acendeu a devoção dos napolitanos para com este grande
santo, canonizado por Pio VII a 24 de maio de 1807 e
eleito em 1840 co-padroeiro da cidade de Nápoles.
Referência:
Sgarbossa, Mario; Giovanni, Luigi. Um santo para cada
dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre
Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Francisco Caracciolo, rogai por nós!
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